São Venceslau
Celebramos no dia vinte e oito de setembro, segundo o calendário do Missal Romano de mil novecentos e sessenta e dois, a festa de São Venceslau, Duque e Mártir, sob o rito de terceira classe e com paramentos vermelhos. O Martirológio Romano recorda neste dia o triunfo daquele príncipe cristão que, desprezando as glórias efêmeras do principado terreno, governou seu povo com justiça evangélica e, pela traição de seu próprio irmão, alcançou a palma do martírio, sendo trasladado da corte temporal para o reino eterno dos céus.

A formação cristã sob o amparo de Santa Ludmila
Nascido na Boêmia no início do século décimo, Venceslau era filho do duque cristão Vratislau e de Drahomira, uma mulher que permanecia obstinadamente apegada às superstições do paganismo. Pela graça da Divina Providência, a educação do jovem príncipe foi confiada à sua avó paterna, a gloriosa Santa Ludmila, que lhe infundiu desde a mais tenra infância o temor de Deus, o amor à Santa Igreja e a prática das virtudes cristãs. Enviado ao colégio de Budec, o jovem nobre aplicou-se com fervor ao estudo das letras sagradas e da língua latina, edificando a todos pela sua modéstia, pureza angélica e profunda recolhimento na oração, qualidades raras em meio a uma corte ainda marcada pela barbárie pagã.
O governo justo e a piedade eucarística do soberano
Com a morte prematura de seu pai, a regência caiu nas mãos de sua mãe Drahomira, que logo desencadeou uma cruel perseguição contra os fiéis e mandou estrangular a própria sogra, Santa Ludmila. Contudo, ao atingir a idade para assumir o trono ducal, Venceslau restaurou imediatamente a ordem cristã em seus domínios, chamando de volta os sacerdotes exilados, reprimindo a violência dos nobres revoltados e promovendo a paz com os reinos vizinhos. Apesar de sua elevada dignidade temporal, vivia como um verdadeiro monge no interior do palácio, trazendo um cilício oculto sob as vestes reais e conservando intacta a sua virgindade através de jejuns e mortificações contínuas. Sua caridade para com os órfãos, as viúvas e os pobres era inexaurível, chegando a comprar jovens escravos pagãos nos mercados apenas para fazê-los batizar e educar na fé católica. Seu amor ao Santíssimo Sacramento do Altar era tão ardente que, durante o silêncio da noite, acompanhado apenas de seu fiel servo Podiven, ia pessoalmente aos campos colher o trigo e as uvas, preparando com as próprias mãos reais as hóstias e o vinho que seriam consagrados no Santo Sacrifício da Missa, além de visitar descalço as igrejas em meio à neve rigorosa do inverno, deixando pegadas aquecidas que consolavam o servo que o seguia.
A traição fraterna e a consumação do martírio
A santidade de vida do duque e o seu zelo pela dilatação da fé católica despertaram o ódio dos nobres pagãos, que encontraram na ambição de Boleslau, irmão mais novo do santo, e na malícia de sua mãe Drahomira, os instrumentos para uma conspiração homicida. Sob o pretexto de celebrar a festa dos santos mártires Cosme e Damião e o nascimento de um filho, Boleslau convidou o irmão para um banquete na cidade de Stará Boleslav no ano do Senhor de novecentos e vinte e nove. Embora avisado secretamente da cilada que lhe preparavam, o piedoso soberano não quis fugir ao cálice do sofrimento, preparando sua alma na vigília e oferecendo um brinde em honra a São Miguel Arcanjo antes de recolher-se. Na manhã seguinte, vinte e oito de setembro, ao dirigir-se muito cedo à igreja para assistir ao Ofício das Matinas, Venceslau foi interceptado no átrio do templo pelo próprio irmão. Boleslau desferiu contra ele o primeiro golpe de espada, mas o santo, desarmando-o facilmente, recusou-se a ferir o agressor, declarando que Deus o perdoasse. Acorrendo então os sicários de Boleslau, transpassaram o corpo do duque inocente enquanto este se agarrava à argola da porta da igreja, entregando sua alma puríssima ao Criador com as palavras do Salmista nos lábios e tingindo com seu sangue real os degraus da casa de Deus.
O exemplo luminoso de São Venceslau ensina aos católicos de nosso tempo que nenhuma posição social, encargo profissional ou responsabilidade terrena serve de escusa para a tibieza espiritual, mas antes exige uma submissão ainda mais perfeita ao reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Viver hoje a santidade deste grande mártir significa colocar a reverência ao Santo Sacrifício da Missa e a pureza de costumes acima de todos os respeitos humanos, exercendo nossos deveres de estado com caridade firme, espírito de penitência e prontidão para perdoar aqueles que nos perseguem dentro de nossas próprias famílias ou ambientes de convívio, certos de que a fidelidade inabalável à verdade católica nos conduzirá, através das tribulações desta vida, à posse da coroa imortal no céu.