São Plácido e Companheiros

Celebramos no dia cinco de outubro, segundo o calendário do Missal Romano de mil novecentos e sessenta e dois, a comemoração de São Plácido e seus companheiros mártires, com paramentos vermelhos. O Martirológio Romano recorda neste dia o glorioso triunfo deste insigne discípulo do grande São Bento, o qual, tendo sido enviado à Sicília para fundar um mosteiro, ali consumou a sua consagração a Deus pelo derramamento do próprio sangue, sendo cruelmente trucidado pelos cruéis piratas sarracenos juntamente com seus irmãos de sangue e uma numerosa multidão de monges, preferindo os tormentos atrozes e a morte brutal à apostasia da verdadeira fé católica.

A oblação infantil e a escola do serviço divino no claustro

Nascido em Roma no início do século sexto, o jovem Plácido era fruto de uma das mais nobres e ilustres famílias do patriciado romano, sendo filho do senador Tértulo. Naquela época de profunda decadência do império e de renovação espiritual suscitada pelo monaquismo, a fama de santidade de São Bento de Múrsia, que habitava nos retiros rochosos de Subíaco, espalhou-se rapidamente pelas famílias devotas de Roma. Movido por uma divina inspiração e desejando para o filho os bens incorruptíveis da eternidade, Tértulo conduziu o pequeno Plácido, então com tenra idade, para ser oferecido a Deus como oblato sob a direção do santo patriarca. No silêncio e na disciplina do claustro, longe das pompas mundanas que sua linhagem lhe prometia, o menino cresceu em graça e sabedoria, distinguindo-se rapidamente pela pureza de costumes, pela doçura de trato e por uma obediência cega e fervorosa ao seu abade, tornando-se, ao lado do jovem Mauro, um dos discípulos mais diletos de São Bento.

O prodígio das águas e o prêmio da santa obediência

A perfeição evangélica alcançada por São Plácido ainda na juventude ficou eternamente gravada nos anais da Igreja por meio de um estupendo milagre narrado pelo Papa São Gregório Magno. Certo dia, tendo sido enviado pelo abade para tirar água no lago vizinho ao mosteiro, o jovem monge desequilibrou-se e caiu nas águas profundas, sendo rapidamente arrastado pela correnteza. Em sua cela, São Bento teve o conhecimento infuso e imediato da tragédia e, chamando às pressas o discípulo Mauro, ordenou-lhe que corresse para socorrer o irmão. Revestido da virtude da santa obediência, Mauro lançou-se sobre o lago e, sem perceber o que fazia, caminhou milagrosamente sobre a superfície das águas como se pisasse em terra firme, agarrando Plácido pelos cabelos e arrastando-o a salvo para a margem. Ao indagarem sobre o prodígio, São Bento atribuiu o milagre à pronta obediência de Mauro, mas este declarou que apenas cumprira uma ordem, sendo o abade o verdadeiro taumaturgo. O próprio São Plácido desfez a piedosa disputa ao testemunhar que, no momento em que era retirado do abismo, não viu a figura de Mauro, mas sim o manto sagrado de São Bento pairando sobre a sua cabeça, provando que a submissão aos superiores legítimos atrai a onipotência divina sobre as almas.

A missão na Sicília e a coroa do martírio cruento

Após longos anos de fidelidade à regra em Monte Cassino, São Plácido foi designado pelo seu pai espiritual para uma árdua missão em terras distantes, sendo enviado à Sicília para recuperar os bens doados por seu pai carnal e ali edificar um novo mosteiro nas proximidades da cidade de Messina. Acompanhado por alguns monges, estabeleceu uma próspera comunidade dedicada ao louvor divino, unindo-se a eles mais tarde a sua irmã, a virgem consagrada Flávia, e seus irmãos Eutíquio e Vitorino. Contudo, a paz do recanto sagrado foi subitamente destroçada quando uma esquadra de piratas sarracenos, inimigos ferrenhos do nome cristão, invadiu a ilha espalhando o terror e a morte. O cruel comandante dos invasores, tendo capturado a comunidade monástica, exigiu que São Plácido e seus companheiros renegassem a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e adorassem os falsos ídolos. Diante da recusa majestosa e inabalável do santo abade, que exortava seus irmãos a perseverarem até o fim para alcançarem as alegrias do paraíso, o tirano ordenou suplícios indizíveis. Os mártires foram açoitados com extrema violência, suspensos de ponta-cabeça e colocados sobre brasas ardentes. Vendo que louvavam a Deus no meio das chamas, os algozes arrancaram-lhes os dentes e cortaram-lhes as línguas pelas raízes, mas o Senhor concedeu-lhes o milagre de continuarem a professar o Credo de forma perfeitamente audível. Finalmente, enfurecido pela constância invencível daquelas almas, o comandante pagão sentenciou todos à morte pela espada. São Plácido, Santa Flávia, seus irmãos e dezenas de monges inclinaram piedosamente as cabeças e tiveram seus pescoços decepados, lavando com o próprio sangue a terra da Sicília e subindo vitoriosos às bodas do Cordeiro no ano de quinhentos e quarenta e um.

O testemunho heroico de São Plácido e de seus companheiros mártires ensina aos católicos de nossos dias que a santa obediência e o desapego das honras mundanas são os alicerces indestrutíveis que preparam a alma para as grandes batalhas da fé. Viver hoje a santidade destes monges gloriosos significa abraçar com docilidade a vontade de Deus expressa nos deveres diários e na submissão ao Magistério perene da Santa Madre Igreja, cultivando a pureza de coração diante de um mundo corrompido e mantendo a disposição inabalável de confessar o santo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo perante qualquer hostilidade moderna, certos de que os sofrimentos passageiros deste século não têm proporção alguma com a glória inefável que aguarda aqueles que perseveram no amor de Deus até o fim.