Santa Teresinha do Menino Jesus
Celebramos no dia três de outubro, segundo o calendário do Missal Romano de mil novecentos e sessenta e dois, a festa de Santa Teresa do Menino Jesus, Virgem, sob o rito de terceira classe e com paramentos brancos. O Martirológio Romano recorda neste dia o trânsito desta angélica esposa de Cristo, que no Carmelo de Lisieux, na França, consumou a sua breve vida terrena em um holocausto de amor a Deus, ensinando ao mundo o caminho da infância espiritual e sendo elevada à glória dos altares como padroeira universal das missões católicas.

O berço cristão e o sorriso curador da Virgem Maria
Nascida na cidade de Alençon no ano de mil oitocentos e setenta e três, com o nome de Maria Francisca Teresa, a santa floresceu no seio de uma família de virtudes formidáveis, sendo a caçula dos piedosos esposos Luís Martin e Zélia Guérin. Educada no mais santo temor de Deus, a pequena Teresa conheceu precocemente o crisol do sofrimento com a morte prematura de sua mãe quando contava com apenas quatro anos de idade. Após essa dolorosa perda, a família transladou-se para a cidade de Lisieux, onde a menina cresceu cercada pelo afeto de seu pai e de suas irmãs. Aos dez anos, foi acometida por uma misteriosa e grave enfermidade que a levou às portas da morte, prostrando-a em delírios que desafiavam a ciência médica da época. A cura prodigiosa deu-se no dia de Pentecostes, quando a jovem enferma, voltando o seu olhar suplicante para uma imagem de Nossa Senhora das Vitórias que adornava o seu quarto, contemplou a Santíssima Virgem sorrir-lhe com inefável doçura, sentindo no mesmo instante todas as suas dores desvanecerem e a paz celestial inundar a sua alma.
A graça do Natal e a audácia perante o Vigário de Cristo
Apesar de sua piedade singular, Teresa padecia de uma extrema sensibilidade emocional, da qual foi curada milagrosamente na noite de Natal de mil oitocentos e oitenta e seis. Naquela noite abençoada, ao receber a Sagrada Comunhão, o Menino Jesus infundiu em seu coração uma fortaleza de ânimo e um zelo ardente pela salvação das almas, marcando o que ela mesma chamaria de a sua conversão definitiva. Inflamada pelo desejo de encerrar-se no claustro carmelita para rezar pelos pecadores e pelos sacerdotes, a jovem deparou-se com a barreira da sua pouca idade, pois contava apenas quinze anos. Não se deixando abater pelas recusas do superior local e do bispo diocesano, empreendeu uma peregrinação a Roma na companhia de seu pai. Durante a audiência pontifícia, rompendo o protocolo e o silêncio exigidos, Teresa lançou-se aos pés do Papa Leão Décimo Terceiro, suplicando com lágrimas a permissão para entrar no Carmelo. A audácia de sua caridade comoveu o Sumo Pontífice, que deixou a decisão nas mãos da Divina Providência, abrindo-se afinal as portas do mosteiro de Lisieux no ano seguinte para receber aquela que seria uma de suas maiores glórias.
A pequena via, a noite escura e a chuva de rosas
No silêncio do claustro, Santa Teresinha não buscou as penitências extraordinárias ou os grandes arroubos místicos das antigas fundadoras, mas trilhou sob a moção do Espírito Santo a pequena via da infância espiritual. Esta doutrina consistia em reconhecer a própria pequenez e miséria, lançando-se com confiança cega e abandono absoluto nos braços da misericórdia paterna de Deus. Praticava virtudes heroicas no ocultamento das tarefas diárias, transformando os mínimos sacrifícios, os sorrisos oferecidos nas contrariedades e os trabalhos mais humildes em degraus imensos de santidade. Por obediência à sua superiora, registrou as maravilhas que a graça operava em sua alma nos manuscritos que mais tarde formariam o célebre livro História de uma Alma. Em seus últimos meses de vida, foi purificada pelo terrível sofrimento da tuberculose e por uma noite escura da fé, na qual as consolações celestes lhe foram subtraídas para que pudesse interceder pelos pecadores obstinados. Consumida pelo fogo da caridade, entregou seu espírito a Deus no dia trinta de setembro de mil oitocentos e noventa e sete, com apenas vinte e quatro anos, exclamando seu amor a Jesus e cumprindo a promessa de que passaria o seu céu fazendo o bem sobre a terra, derramando uma chuva de rosas e de milagres sobre a Santa Igreja.
O exemplo suavíssimo e ao mesmo tempo heroico de Santa Teresinha do Menino Jesus ensina aos católicos de hoje que a mais alta perfeição evangélica não é privilégio exclusivo daqueles que realizam obras formidáveis aos olhos do mundo, mas está ao alcance de todos os que se fazem pequenos diante de Deus. Viver hoje a santidade desta virgem carmelita significa abraçar com alegria e paciência os deveres ordinários do nosso estado de vida, suportando as falhas do próximo com doçura, oferecendo as dores cotidianas em reparação aos ultrajes cometidos contra o Coração de Cristo e mantendo uma confiança filial inabalável na Providência, certos de que nada agrada tanto ao Senhor quanto a alma que reconhece a própria fraqueza e se abandona inteiramente ao Seu amor infinito.