Ss. Sérgio, Baco, Marcelo e Apuleio
Celebramos no dia oito de outubro, segundo o calendário do Missal Romano de mil novecentos e sessenta e dois, a comemoração dos santos mártires Sérgio, Baco, Marcelo e Apuleio, cujos méritos são exaltados com paramentos vermelhos na sagrada liturgia, em conjunto com a festa de Nossa Senhora do Rosário e de São Marcos Papa. O Martirológio Romano recorda nesta data o triunfo destes ilustres confessores que, desprezando as honras da corte imperial e os favores dos tiranos, suportaram terríveis humilhações, flagelações e a morte cruel por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, alcançando a coroa imarcescível da glória eterna e enriquecendo a Santa Igreja com o seu testemunho de inabalável fidelidade.
A nobreza militar e a recusa da idolatria
Sérgio e Baco figuravam entre os mais ilustres cidadãos romanos e ocupavam postos de altíssima patente militar no exército do império, sendo oficiais da guarda pessoal sob o reinado do imperador Maximiano. Gozavam do mais elevado prestígio na corte e da amizade do próprio soberano, mas, no íntimo de seus corações, haviam consagrado suas vidas inteiramente ao Rei dos Reis, Nosso Senhor Jesus Cristo, guardando a fé católica com pureza e retidão. A piedade cristã destes bravos soldados foi descoberta quando, por ocasião de um solene sacrifício público, ambos recusaram terminantemente entrar no templo pagão e oferecer incenso a Júpiter. Enfurecido pela recusa inabalável dos seus melhores oficiais em ofender o Deus verdadeiro, o imperador ordenou que fossem imediatamente despojados de suas insígnias militares. Para submetê-los à mais ignominiosa vergonha pública, mandou que fossem vestidos com trajes femininos e arrastados pelas ruas de Roma sob o escárnio da multidão, antes de serem enviados à província da Síria para serem julgados pelo cruel governador Antíoco.
Os suplícios atrozes e a consumação na Síria
Longe de se deixarem abater pelas zombarias do mundo, os santos mártires rejubilavam-se por terem sido achados dignos de sofrer humilhações pelo nome de Jesus. Chegando à província de Augusto-Eufratense, o governador Antíoco submeteu-os a interrogatórios terríveis, mas encontrou neles uma fortaleza espiritual inexpugnável. Baco foi o primeiro a receber a palma do martírio, sendo flagelado com açoites guarnecidos de chumbo com tamanha selvageria que as suas carnes foram despedaçadas, entregando a sua alma puríssima a Deus durante o tormento. Na noite seguinte, Baco apareceu gloriosamente a Sérgio em uma visão celestial, consolando-o e exortando-o a perseverar até o fim. O governador mandou então que os pés de Sérgio fossem calçados com sapatos cravados de pregos pontiagudos voltados para dentro, obrigando-o a caminhar longas distâncias sobre o próprio sangue. Cantando salmos de louvor em meio a dores indescritíveis, o invencível soldado exauriu a fúria dos seus algozes, sendo finalmente decapitado e unindo-se ao seu fiel companheiro nas cortes celestiais.
O testemunho romano de Marcelo e Apuleio
Na mesma comemoração litúrgica, a Igreja exalta a memória de São Marcelo e Santo Apuleio, cuja história remonta aos albores do cristianismo em Roma. A tradição narra que ambos haviam sido inicialmente iludidos e tornados discípulos do impostor Simão Mago, o qual tentava desviar as almas por meio de feitiçarias e falsos prodígios. Contudo, ao testemunharem a pregação autêntica, a majestade apostólica e os milagres divinos operados por São Pedro, a graça iluminou os seus intelectos e eles reconheceram a farsa do herege, convertendo-se de todo o coração à verdadeira fé católica. Após uma vida de ardente piedade e serviço à Igreja nascente, foram presos durante a perseguição deflagrada sob o imperador Aureliano. Conduzidos perante o tribunal e exortados a renegar a fé no Salvador, confessaram destemidamente o nome de Cristo, padecendo toda sorte de tormentos e alcançando a coroa do martírio pela espada, lavando com o próprio sangue a mesma cidade de Roma que fora santificada pelo Príncipe dos Apóstolos.
O testemunho formidável destes quatro gloriosos mártires recorda aos católicos de nossos dias que a fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo deve ser colocada acima de todas as honras terrenas, riquezas ou favores humanos. Viver hoje a santidade destes invencíveis soldados da fé significa não nos curvar diante dos falsos ídolos da aprovação social e do politicamente correto, preservando a pureza da sã doutrina mesmo quando formos alvo de escárnio, humilhações ou perseguições nos nossos ambientes de trabalho e convívio. Ao meditarmos sobre a coragem de São Sérgio e São Baco e a conversão luminosa de São Marcelo e Santo Apuleio, somos impelidos a combater as tentações do desânimo com uma vida de oração contínua e recurso frequente aos sacramentos, certos de que, se suportarmos os sofrimentos desta vida temporal com fortaleza e amor à Cruz, seremos coroados por Cristo Rei no triunfo da eternidade.