Santa Brígida
Celebramos no dia oito de outubro, segundo o calendário do Missal Romano de mil novecentos e sessenta e dois, a festa de Santa Brígida, Viúva, sob o rito de terceira classe e com paramentos brancos. O Martirológio Romano recorda neste dia a memória sublime desta princesa sueca que, após viver santamente a vocação matrimonial e gerar uma fecunda prole para o céu, consagrou-se inteiramente ao seu divino Esposo na viuvez, edificando a Santa Igreja com suas revelações místicas, fundando uma nova família religiosa e exalando o bom odor de Cristo até o seu glorioso trânsito na cidade de Roma.
O matrimônio santificado e a corte voltada para o céu
Nascida no reino da Suécia no ano de mil trezentos e três, no seio de uma família de estirpe principesca e profundamente arraigada na fé católica, Brígida foi favorecida desde a mais tenra infância com visões celestiais, sendo tocada de modo particular pela contemplação dos cruéis padecimentos da Paixão de Nosso Senhor. Em obediência à vontade de seu pai, uniu-se em sagrado matrimônio com o nobre e piedoso Ulfo Gudmarsson. O casal transformou o seu palácio em um verdadeiro santuário de virtudes, pautando a vida doméstica por rigorosas práticas de piedade, generosas esmolas aos pobres e leitura diária das Sagradas Escrituras. Dessa união abençoada nasceram oito filhos, cuja educação foi conduzida por Brígida com extrema vigilância e zelo materno, esforçando-se para incutir em cada um deles o horror ao pecado e o amor incondicional a Deus. O fruto mais esplendoroso dessa esmerada formação cristã foi a sua filha, Santa Catarina da Suécia, que viria a herdar o fervor espiritual e dar continuidade à obra de sua santa mãe. Após muitos anos de exemplar vida conjugal, os esposos empreenderam uma longa e penosa peregrinação ao santuário de Santiago de Compostela, decidindo, no retorno, consagrarem-se à continência perfeita. Ulfo ingressou no mosteiro cisterciense de Alvastra, onde adormeceu na paz do Senhor, deixando Brígida livre para entregar o seu coração indiviso às coisas do alto.
A vocação da viuvez e a fundação da Ordem do Santíssimo Salvador
Despojada dos laços do matrimônio terreno, Santa Brígida distribuiu generosamente todos os seus imensos bens e propriedades aos pobres, vestiu-se com os trajes rústicos das penitentes e passou a habitar nas imediações do mosteiro onde o marido falecera. Ali, em meio a severos jejuns, vigílias contínuas e ardentes orações, os céus abriram-se profusamente para a santa viúva, que passou a receber admiráveis revelações e colóquios divinos com Nosso Senhor Jesus Cristo e com a Santíssima Virgem Maria, cujas palavras ela ditava aos seus diretores espirituais e que mais tarde formariam os célebres livros de suas Revelações, aprovados pelo Magistério da Igreja. Guiada por inspiração celestial, concebeu e deu início à fundação de uma nova família monástica dedicada ao louvor contínuo da Paixão de Cristo e à honra da Mãe de Deus. Estabeleceu na cidade de Vadstena o primeiro mosteiro da Ordem do Santíssimo Salvador, cujas religiosas, conhecidas como brigidinas, traziam sobre a cabeça a coroa singular com as cinco marcas rubras que recordam as chagas redentoras do Calvário.
A peregrinação romana e a consumação na Cidade Eterna
No ano de mil trezentos e quarenta e nove, movida por uma expressa ordem de Cristo, Santa Brígida abandonou a sua pátria e transladou-se para Roma, a fim de obter a aprovação papal para a sua regra e aguardar o retorno do Sumo Pontífice, que na época residia no exílio em Avignon. Na Cidade Eterna, a santa princesa viveu uma existência de indescritível pobreza e mortificação, mendigando esmolas nas portas das igrejas juntamente com os mais miseráveis, cuidando dos doentes nos hospitais e visitando diariamente, com inesgotável fervor, os túmulos dos santos Apóstolos e Mártires. Com destemor profético, escreveu cartas e exortações inflamadas aos papas e aos soberanos da Europa, advertindo-os sobre os justos castigos divinos e suplicando o retorno da Sé Apostólica para Roma, a fim de restaurar a ordem na cristandade. Após uma extenuante peregrinação à Terra Santa, onde contemplou em êxtase os mistérios da Redenção nos exatos locais em que ocorreram, regressou a Roma com a saúde inteiramente combalida. Purificada pelos sofrimentos físicos e por severas provações interiores, a gloriosa viúva entregou o seu puríssimo espírito nas mãos do Criador no dia vinte e três de julho de mil trezentos e setenta e três. Seu corpo venerável foi sepultado inicialmente em Roma e, posteriormente, trasladado em triunfo por sua filha Catarina para o mosteiro de Vadstena.
O testemunho formidável de Santa Brígida da Suécia ensina aos católicos de nossos dias que a vocação para a santidade não se restringe às sombras dos claustros, mas deve florescer com igual esplendor na vida familiar, na viuvez e nas lides seculares. Viver hoje a virtude desta insigne mística significa rejeitar o conforto egoísta e a futilidade da sociedade moderna para abraçar com heroísmo as obrigações do próprio estado de vida, educando os filhos com rigor e ternura cristã para povoarem o céu. Somos exortados, pelo seu exemplo, a meditar diariamente nos sofrimentos da Paixão de Nosso Senhor, a desapegar o nosso coração das falsas riquezas do mundo e a manter uma fidelidade destemida ao Papado e à Tradição da Igreja, certos de que somente aqueles que se unem à Cruz de Cristo nesta vida temporal poderão partilhar da Sua coroa de glória na eternidade.