São Lino

A liturgia tradicional da Santa Igreja comemora no dia vinte e três de setembro a memória do glorioso Papa São Lino, o primeiro sucessor de São Pedro na Cátedra de Roma. Tendo sido um colaborador íntimo dos Apóstolos e mencionado por São Paulo em suas epístolas, ele governou a Igreja nascente nos turbulentos anos que se seguiram à perseguição de Nero. Seu pontificado foi marcado pela fidelidade inquebrantável ao depósito da fé recebido diretamente de Cristo e dos Apóstolos, culminando com o derramamento de seu sangue pelo rebanho e consolidando o alicerce perpétuo do Papado.

Imagem de São Lino

O Sucessor do Príncipe dos Apóstolos

Nascido na região da Toscana, na Itália, Lino destacou-se desde cedo por sua profunda piedade e zelo apostólico. A Providência Divina guiou seus passos até Roma, onde se tornou um dos discípulos mais próximos de São Pedro e São Paulo. A confiança que os Príncipes dos Apóstolos depositavam nele era tão formidável que São Paulo o menciona afetuosamente em sua Segunda Epístola a Timóteo. Após o glorioso martírio de Pedro e Paulo sob a fúria do imperador Nero, a imensa e assustadora responsabilidade de pastorear a Igreja Universal recaiu sobre os ombros de Lino. Ele assumiu o Sumo Pontificado por volta do ano sessenta e sete, tornando-se o primeiro elo da ininterrupta sucessão apostólica romana.

O Pontificado e o Véu das Mulheres

O governo do Papa São Lino ocorreu em uma época de imensa tribulação, na qual ser cristão significava viver sob a constante ameaça da cruz, das feras e da espada. Apesar dos perigos, ele organizou a administração da Igreja nascente com grande sabedoria e fortaleza. Uma das disposições disciplinares mais célebres atribuídas ao seu pontificado, em estrita obediência à doutrina já ensinada pelo Apóstolo dos Gentios, foi o decreto formal que obrigava as mulheres católicas a entrarem nas igrejas e assistirem aos santos mistérios com as cabeças cobertas pelo véu. Essa determinação não apenas refletia a modéstia e a reverência angélica devidas à presença e majestade de Deus, mas também estabelecia a dignidade sagrada da liturgia em oposição aos costumes profanos da época.

O Martírio e a Glória

Após cerca de nove anos governando a Barca de Pedro com firmeza e caridade paternal, São Lino consumou a sua carreira terrestre com a glória do martírio. Segundo a venerável tradição hagiográfica, ele entregou a sua vida a Cristo no dia vinte e três de setembro do ano setenta e seis, sendo decapitado por ordem do cônsul Saturnino, um magistrado pagão cuja própria filha o santo Papa havia libertado de uma possessão demoníaca. O seu corpo sagrado foi reverentemente recolhido pelos fiéis e sepultado na Colina do Vaticano, ao lado do túmulo de São Pedro, descansando eternamente junto ao mestre que com tanta bravura e fidelidade ele havia sucedido.

Nos dias de hoje, marcados por uma rebelião generalizada contra as tradições sagradas e pela falta de reverência diante das coisas divinas, o majestoso testemunho do Papa São Lino exorta-nos a um profundo amor e obediência à Santa Igreja. Ele nos ensina o valor inestimável da modéstia e do respeito absoluto na presença do sagrado, recordando-nos que a verdadeira liberdade consiste em submeter a nossa vontade à doutrina perene legada pelos Apóstolos. Que possamos, a exemplo deste santo pontífice, honrar a nossa fé com atitudes de piedade concreta, preferindo enfrentar a hostilidade e o desprezo do mundo a comprometer a pureza, a reverência e a tradição que devemos a Nosso Senhor Jesus Cristo.