Santo Eduardo
Celebramos no dia treze de outubro, segundo o calendário do Missal Romano de mil novecentos e sessenta e dois, a festa de Santo Eduardo, Rei e Confessor, sob o rito de terceira classe e com paramentos brancos. O Martirológio Romano exalta neste dia a memória venerável deste insigne monarca que, elevado ao trono da Inglaterra, governou o seu povo com uma justiça paternal e admirável paz, conservando intacta a sua virgindade no próprio estado matrimonial e merecendo, por suas inumeráveis virtudes e milagres, a glória imortal dos altares, sendo a data de hoje consagrada à solene translação de suas sagradas relíquias incorruptas.

O exílio providencial e o retorno ao trono inglês
Nascido no alvorecer do século décimo primeiro, Eduardo era filho do rei Etelredo Segundo e da rainha Ema da Normandia. Em sua tenra infância, a Inglaterra foi assolada por terríveis invasões dinamarquesas que usurparam a coroa e lançaram o reino em um abismo de derramamento de sangue e desordem. Para preservar a vida do jovem príncipe, sua mãe o enviou para a corte de seu tio, o Duque da Normandia. Longe das ambições políticas e abrigado em terras estrangeiras, Eduardo não se deixou corromper pela futilidade das cortes, mas transformou o seu exílio em um verdadeiro noviciado espiritual, passando os dias nos mosteiros, assistindo diariamente ao Santo Sacrifício da Missa e comprazendo-se na companhia dos monges. Apenas quando as tormentas políticas se apaziguaram e a linhagem dos usurpadores chegou ao fim, a Divina Providência o reconduziu à sua pátria. Aclamado de forma unânime pelos nobres e pelo povo, o príncipe exilado foi coroado Rei da Inglaterra no ano de mil e quarenta e dois, assumindo o formidável encargo de curar as feridas de uma nação dilacerada pela guerra.
O matrimônio virginal e a justiça paternal do soberano
Para assegurar a paz do reino e aplacar as pressões dos grandes senhores que exigiam a continuidade da linhagem real, São Eduardo consentiu em contrair sagrado matrimônio com a nobre Edite, filha do poderoso conde Godwin. Contudo, abrasados ambos pelo amor à pureza angélica, os esposos fizeram um voto mútuo e secreto de castidade perfeita, vivendo no interior do palácio como irmãos e transformando o tálamo nupcial em um altar de perpétua virgindade. A sua coroa não foi um símbolo de tirania, mas de serviço aos súditos mais miseráveis. O santo rei aboliu os pesadíssimos impostos bélicos que esmagavam os camponeses, distribuiu generosamente os tesouros reais aos pobres e aos enfermos, e restaurou a antiga disciplina das leis com tanta retidão que o seu governo passou a ser lembrado como a era de ouro da justiça inglesa. Deus dignou-se também adornar a compaixão de Eduardo com o dom dos milagres, concedendo-lhe o poder de curar a terrível enfermidade da escrófula apenas pelo toque de suas mãos reais e pelo sinal da cruz, um privilégio divino que se perpetuou em seus legítimos sucessores católicos.
O anel de São João e a edificação de Westminster
O amor de São Eduardo a Deus manifestava-se de modo tocante em sua singular devoção a São João Evangelista, o discípulo amado. A tradição narra que, certo dia, ao dirigir-se a uma igreja dedicada àquele apóstolo, o rei foi abordado por um mendigo esfarrapado que lhe suplicava uma esmola por amor a São João. Não tendo consigo ouro ou prata naquele momento, o soberano retirou sem hesitar o seu precioso anel real e o entregou ao pobre. Tempos depois, dois peregrinos ingleses que viajavam pela Terra Santa perderam-se no deserto e foram socorridos por um ancião luminoso que os guiou e abrigou. Pela manhã, o ancião revelou ser São João Evangelista e entregou-lhes o mesmo anel real, ordenando que o devolvessem a Eduardo com a promessa de que, em seis meses, o rei estaria ao seu lado no paraíso. Nos últimos anos de sua vida, estando impossibilitado de cumprir um voto antigo de peregrinar ao túmulo de São Pedro em Roma, o Papa São Leão Nono comutou a sua promessa, ordenando-lhe que construísse um mosteiro em honra ao Príncipe dos Apóstolos. O rei ergueu então a monumental Abadia de Westminster, esgotando nela os seus tesouros. Poucos dias após a consagração do templo, consumou-se a profecia do apóstolo, e São Eduardo adormeceu santamente no Senhor em cinco de janeiro de mil e sessenta e seis, sendo o seu corpo encontrado incorrupto décadas depois e transladado no dia treze de outubro para um magnífico relicário.
O formidável exemplo de São Eduardo ensina aos católicos de nossos dias que o poder, a riqueza e as responsabilidades temporais não constituem um obstáculo para a santidade quando o coração humano permanece ancorado nos bens eternos. Viver hoje a virtude deste insigne monarca significa exercer qualquer autoridade que possuamos — seja nos nossos lares, nos nossos trabalhos ou na vida pública — com absoluta retidão, caridade para com os subalternos e horror à injustiça. Somos exortados a imitar o seu amor irrestrito à pureza de costumes no meio de uma sociedade afundada na sensualidade, mantendo uma generosidade heroica para com os mais pobres e devotando um amor incondicional à Santa Madre Igreja, certos de que os tesouros que amealhamos na terra se corrompem, mas os sacrifícios que oferecemos pela glória do Altíssimo nos garantirão a herança do reino que não terá fim.